Qual a melhor sacola para se escolher? De plástico? De papelão?


A escolha de produtos que são ambientalmente bacanas para a natureza é uma dúvida que nos cerca como consumidores, como produtores ou simplesmente como conselheiros quando nos perguntam qual desses objetos é menos danoso ao meio ambiente.

 

Todos os produtos vêm embalados, mesmo quando você vai à feira comprar frutas e verduras estão lá as embalagens e, todos eles, produtos ou embalagens têm origem na natureza, todos têm como origem a natureza.

 

Nós, como seres humanos temos certas crenças, acreditamos em determinadas histórias que nos contam. Pode ser também quando vemos alguma fotografia, por exemplo de um peixe ou um golfinho com uma corda ou uma sacola plástica na cabeça acreditamos que aquele material é o pior para a natureza, mesmo que só tenhamos aquela única informação, a fotografia.

 

Quando vamos comprar qualquer item, uma fruta, um pão na padaria ou uma roupa se o vendedor nos desse a oportunidade de escolher um tipo de sacola para levarmos esse produto para casa, se a escolha fosse entre a sacola de plástico e a de papelão ou uma de pano, muito provavelmente a última a ser escolhida seria a de plástico.

Há no imaginário popular a crença de que a sacola de plástico é a pior entre as três, provavelmente porque temos a imagem de animais marinhos presos em produtos plásticos, garrafas plásticas entupindo bueiros e esgotos, ilhas de plástico no meio dos oceanos.

Temos apenas uma informação, uma única fotografia de toda a vida dos produtos, de que aquele polímero está ali na natureza e, toda a história de vida daquele artefato se resume aquela imagem.

Todos nós temos uma história de vida, eu, você e os produtos industrializados, aqui escrito de uma maneira mais ampla podendo ser um bem como um brinquedo ou um celular ou ainda uma embalagem para proteger essa mercadoria. E para sabermos se esse produto é melhor ou pior para a natureza devemos compará-lo com outro, ou outros, que desempenham a mesma função.

Nessa comparação devemos procurar saber o quanto cada um desses produtos consumiu de energia, de água, de matéria-prima para ser feito e quanto cada um deles gerou na forma de emissões de gases, efluentes líquidos e rejeitos sólidos.

Esse processo de obtenção dessas informações de produtos é conhecido como Análise de Ciclo de Vida (ACV), regido pelas normas ISO 14.0XX. A ACV não apenas registra e faz o catálogo desses dados, chamado de inventário, mas também busca analisar quais os tipos de impactos ambientais esse processo acaba criando.

 

Então para sabermos qual o tipo de embalagem melhor para o meio ambiente deve-se conduzir esse tipo de estudo. Assim é possível comparar ao longo de toda a vida de cada produto qual consumiu mais energia ou água ou gerou mais gases de efeito estufa.

Quando se comparam as sacolas de plástico, papelão e pano o que se tem é que a sacola de plástico é o melhor em boa parte dos resultados dos estudos científicos.

Um estudo de 2011 no Reino Unido comparou sacos feitos de PEAD(polietileno de alta densidade), PEBD(polietileno de baixa densidade), papel e algodão. Ele avaliou os impactos em nove categorias: potencial de aquecimento global, esgotamento de recursos como combustíveis fósseis, acidificação, eutrofização, toxicidade humana, toxicidade da água doce, toxicidade marinha, toxicidade terrestre e criação de smog. 

Constatou-se que as sacolas de PEAD tiveram os menores impactos ambientais das sacolas em oito das nove categorias porque era a sacola mais leve do grupo.

 

Um estudo dinamarquês comparando sacolas de PEBD, polipropileno, papel branqueado e não branqueado e sacolas de algodão, concluiu que as sacolas de PEBD tiveram o menor impacto ambiental.

 Sacos de papel não branqueados foram iguais aos sacos de PEBD em termos de potencial de aquecimento global. Mas os impactos ambientais do papel branqueado foram consideravelmente maiores do que os do papel não branqueado – um saco de papel branqueado precisaria ser reutilizado 43 vezes para igualar o impacto ambiental do PEBD.

Uma parte do impacto ambiental das sacolas de papel resulta de serem entre seis a dez vezes mais pesadas que as sacolas plásticas, portanto, transportá-las e distribuí-las requer mais combustível e custa mais. Uma estimativa é que são necessários sete caminhões para transportar o mesmo número de sacos de papel que pode ser transportado por um único caminhão cheio de sacos plásticos. Seu volume também ocupa mais espaço em estoques e terrenos. 

Assim, as sacolas plásticas parecem ser, pelos resultados das pesquisas, menos danosas a natureza do que outros tipos de sacolas.

 

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